Com novos mercados, agronegócio deve fazer a economia de SC reagir

Expectativa que o setor ajude a regular a economia em meio à pandemia não somente do estado

Santa Catarina também sente o déficit econômico em vários segmentos e se afunda em uma crise corroborada pelo desemprego em massa. Todavia, o Estado conta com o agronegócio que é fundamental para a recuperação do equilíbrio a médio-longo prazo.

Isso se deve por conta da presença de Santa Catarina no mercado internacional. Em 2019, por exemplo, o agronegócio — com seus mais de 40 subsetores no Brasil — respondeu por 67% das exportações no primeiro trimestre no Estado. A receita passou de US$ 1,28 bilhão no período.

A expectativa de que o setor ajude a regular a economia em meio à pandemia — não somente de Santa Catarina — aumenta com as previsões positivas do Ministério da Agricultura.

Países que antes puseram barreiras para importar produtos do Brasil, com o advento do coronavírus, observam o país brasileiro como a melhor alternativa. A exportação de proteínas animal (bovinos, suínos e aves) deve ser o imprescindível para os catarinenses.

Conforme a Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina), atualmente o Estado exporta frango para 180 países e suíno para 60. Com a projeção, se prevê a abertura de livre mercado da proteína com pelo menos 30 novas federações, onde Santa Catarina vê um refúgio da crise.

Apesar da importância da ampliação, a Faesc se diz preocupada com a novidade, visto que de imediato não há estoque para exportação.

“Por conta da peste suína africana, a China aumentou as importações e praticamente estamos mandando tudo o que temos”, explica o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri.

Ele lembra que Santa Catarina sempre se beneficiou das crises mundiais e, desta vez, se abre novas oportunidades de tratativas com outros países que antes o Brasil não tinha acesso.

Contudo, o planejamento deve ser de pelo menos dois anos. “Penso que às indústrias não vão perder essa oportunidade, começando hoje o processo e pensando no futuro”, pontuou.

A intenção, segundo a Faesc, é consolidar novos mercados e diluir a renda para ter uma estabilidade maior, considerando a demora para firmar negócios com o mercado internacional.

No ano passado, o agronegócio representou 21,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, cresceu 3,8%, de acordo com Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.

A Faesc alerta para um limitador que deve refletir na projeção: o produto básico essencial, que é o milho. Santa Catarina necessita importar de estados e países cada vez mais milho, sendo considerada hoje o maior importador do Brasil.

Das sete milhões de toneladas necessárias do grão para transformar em frango e suíno, cinco milhões serão importadas neste ano, segundo a Faesc.“A cada ano temos uma dependência maior deste cereal”, completou.

Por outro lado, Santa Catarina conta com estruturas de granjas consideradas de primeiro mundo, que é considerado um avanço no aumento da produção.

“O agronegócio de Santa Catarina, seja ele proteína animal ou de grãos, vai fazer a diferença na balança de exportações do Estado e do País. É o diferencial do Brasil para manter a balança comercial”, salienta o produtor. Ele lembra que o Estado mantém a qualidade sanitária animal, o que será um diferencial para o comércio internacional.

Fonte: Jornalismo Rádio Videira/Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação